O acordo do Governo com os Professores veio acentuar privilégios na Função Pública. Há agora “classes” privilegiadas no seu seio (professores, juízes, militares, polícias). Trata-se, como é óbvio de um erro, de política, de bom senso, de planeamento e uma clara cedência do PS num ponto que, parece-me, é basilar. Mas será uma cedência? Não será antes um pedido de sossego?
Com este acordo, os professores passaram a garantir melhores condições para a progressão na carreira que aquelas que têm os funcionários públicos em geral. Os 150 mil professores terão uma progressão nas suas carreiras mais rápida, não dependerão das decisões dos chefes de serviço e independentemente de estar cabimentada verba para suster ao aumento dos salários. Trata-se de um acordo que esquece o mérito, bastando ser-se “bom” para se ir palmilhando na carreira. Algo bem diferente do que se passa nos restantes quadros da Função Pública...
Mas pronto, os professores fizeram valer a sua posição, não pelo valor dos seus argumentos mas pela ameaça de contestação, pela mobilização dos seus profissionais, pelo poderoso, expressivo e intransigente movimento sindical que existe. É um acordo que se atinge pelo grito e não pela razão.
Os demais funcionários públicos, que não têm a mesma força e organização vão ficar a perder. Se não ficarem, seremos nós quem vai perder... Isto porque o país já está numa situação muito difícil e com aumentos (quem trabalha na fábrica foi aumentado 2,9%?) e progressões assim não há carteira que aguente...Nem a do Estado, endividado e com um nível de carga fiscal dos maiores do mundo! Quem paga? Eu, tu, ele...
Estamos a criar um abismo... E a única forma de travar é inverter estas discriminações. É injusto que todos os demais trabalhadores do Estado queiram as mesmas condições? Nada. O problema é explicar porque se dá a uns e não se dá aos outros!






Tweet me!







